Oswaldo NetoManaus (AM)

Pelo menos 20 médicos da UTI Pós-Operatória do Hospital Francisca Mendes, na Zona Norte de Manaus, paralisaram as atividades por tempo indeterminado nesta segunda-feira (2). O motivo seria o descumprimento da direção do hospital no pagamento de salários atrasados desde fevereiro deste ano. De segunda a sexta, a unidade de saúde realiza três cirurgias por dia, porém, todos os procedimentos serão cancelados.

De acordo com os profissionais, um acordo foi feito com a direção do hospital no dia 11 de agostopara os pagamentos não realizados. Em setembro, os médicos receberiam os salários atrasados de dois meses e em outubro a direção pagaria dois meses seguintes, no entanto, os médicos dizem que nenhum valor foi repassado.

“Achamos que fizeram o acordo sem a intenção de cumprir, pois não pagaram nenhum mês. O nosso medo é que eles queiram fazer outra licitação e tirar a gente da unidade, aí ficamos no calote”, denunciou um profissional de saúde, que não quis ser identificado.

Ainda segundo o médico, apenas cirurgias de urgência e emergência serão executadas até eles obterem um posicionamento do governo. “A UTI está parada e as cirurgias cardíacas também. São cinco meses atrasados e até agora o hospital não deu qualquer posição”.

Hospital diz que problema é pontual

A direção do hospital informou que houve um problema “pontual” com o relação ao repasse dos recursos para o pagamento dos prestadores de serviço. A unidade disse, ainda, que está trabalhando junto à Secretaria de Estado de Saúde (Susam) para efetivar o pagamento até o final dessa semana e que nenhum paciente ficou desassistido por conta da paralisação.

Segunda paralisação

Em agosto, dezenas de cirurgias ficaram ameaçadas por conta da paralisação dos médicos no hospital. Na ocasião, eles também cobravam os salários atrasados e entraram em acordo com a direção, que se comprometeu a realizar os pagamentos, mas até agora não cumpriu.

Cirurgias viram ação no MPE

As cirurgias vasculares na rede pública de saúde viraram objeto de Ação Civil Pública no Ministério Público do Estado (MPE). No dia 24, procedimentos realizados nos hospitais 28 de Agosto, Platão Araújo e João Lúcio foram paralisados através da União Vascular de Serviços Médicos (Univasc). Liminar do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) determinou que a paralisação fosse suspensa no dia 27 de setembro.

Foto: Arquivo/AC

(Luiz Eduardo Hayden dos Santos)